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Quarta-feira, Maio 31, 2006  

BANANADA 200006
2º TEMPO::::


Dead Rocks - Cartola surf music
Foto:: r0cket


RPDC
Como pisei na bola e não consegui chegar a tempo de ver Iscariot, vamos ao Remédio Para Dor de Cabeça, ou RDPC. Banda punk sem pose, sem visual estudado, sem rebuscamento, sem lenga-lenga. Composições simples e claras como as que eram feitas pelas primeiras bandas punks nos subúrbios de São Paulo. Fernando mostrou um vocal cheio de energia na pungente 'Pobres, Negros e Roqueiros'. O ska 'Porcaria de TV' e 'Como Está o Mundo Hoje' firmaram a banda humildemente como uma das melhores surpresas dessa segunda noite de Bananada.


Cine Capri
Time da casa. Light rock com raízes enredadas pelas calçadas do nosso desfigurado centro de Goiânia. O veterano cineasta e boêmio Eládio (empunhando sua improvável Flying V) e banda prestam uma nostálgica homenagem à geração que freqüentou o antigo Cine Capri, Cine Ouro, Astor, Frida, Teatro Goiânia, os sebos da 4, Mercado Central, Fonte do Paladar e outros becos, hoje transtornados em igrejas universais, bingos ou outros caça-níqueis. Apesar da vocalista Geórgia não mostrar lá tanta flexibilidade vocal, é carismática e tem presença. Começaram com 'Belas Bocas', 'Vícios Poéticos' e 'Margarina'. 'Eu Tô No Centro' é a mais bem acabada e cativante. Encerraram com 'Piripaque'. Acabou sendo melhor do que eu imaginava.


Downers
Depois de tantos desencontros com essa banda tão bem falada, lá estavam eles. Foi um dos shows mais concorridos da noite, que praticamente os classificaram como possível headliner de um próximo Bananada. Entraram com o jogo ganho. Quase de salto alto. Quase. A guitarra Flying V do Eládio foi simplesmente humilhada por uma de 2 braços, dessas, tipo Jimmy Page. O show foi legal e tal, mas - pra mim - pecaram na originalidade pela cover xerocada em quatro cores de 'Comfortably Numb', do Pink Floyd. A música é ótima, clássica, comovente, mas tocá-la nos mínimos detalhes, sem nenhuma pincelada da banda - pra mim - foi absolutamente desnecessária. A gente vê essas coisas em banda de baile de formatura, mas não se espera de um pessoal com tanto trabalho próprio. Claro que isso fisgou o público, que cantou junto em uníssono. Fica a minha crítica. Com a massa na mão, tudo terminou numa divertida catarse coletiva, com o palco invadido por dezenas de pessoas cantando 'Mutual Betrayal' e seu interminável refrão 'Still The Line Has Got To Move' que até agora ecoa nas mentes dos que estavam por lá.



Lucy & Popsonic:: ótima revelação
Foto::r0cket

Lucy & The Popsonics
Essa dupla prodigiosa da Brasília foi a banda revelação do festival, numa eleição acirrada feita entre eu e eu mesmo. O casalzinho de killkids conquistaram a todos com músicas de qualidade, fofura e simpatia. A vocalista e baixista Fernanda, o guitarrista Pil e a eletrônica Lucy arrasaram os coraçõezinhos indies com os refrões de 'Tamagochi', 'Estetoscópio', 'Coração Empacotado' e 'Ua'. Criativos, inusitados, atuais e novinhos. "- Vocês são muito rockeiros", não cansavam de repetir.


Os Boonies
O rockabilly vindo de Rio Grande do Norte. Lotaram o teatro e colocaram a galera pra dançar. Tudo ótimo, se não fosse um inesperado blackout bem no meio da apresentação. Foi muito rápido, mas caiu como um balde de gelo no clima do show.


Lake
O grunge não morreu. Pelo menos em Goiânia. pelo grande número de fãs ansiosos pela abertura das portas do teatro, esse vestígio dos anos 90 ainda é sucesso por estas bandas. Hora de comprar cerveja.


Los Porongas
"Acre is Not A Lie!". Assim o vocalista Diogo Soares começou a apresentação dos acreanos. Foram muitos os goianienses incrédulos e curiosos que encheram o local para comprovar não só a existência, mas a qualidade do rock deste estado comprado por um cavalo. E parece que os quatro ralaram pra chegar até aqui (http://www.porongas.blogspot.com/). Mas, pela impressão causada, compensou a vinda. Começaram com 'Tudo Ao Contrário' e seguiram com 'Lego de Palavras', 'Não Há' e 'Enquanto Uns Dormem'. Fecharam a boa apresentação com 'Ao Cruzeiro'.


Lunettes
A elétrica vocalista Walkyria e suas garotas tocaram um garagem com contornos que se assemelham à linha de Lovefoxxx e trupe. Os marmanjos se jogaram na frente do palco pra ver as tatuadas riots de Campinas. Começaram com 'Come On Come On' e '91711796'. A melhor apresentada foi 'Heartbreaker'.


Trissônicos
Os cubistas goianos se apresentaram com suas tradicionais Herings brancas e jeans descorados. Bons riffs, bateria simples e letras zelosamente escritas. Num cenário goiano, onde reinam as bandas de garagem, o trio vem desde 2001 traçando com profissionalismo sua linha musical mais adulta e poética. Não deve ser um trabalho dos mais fáceis. Ter um dos integrantes como um dos organizadores do festival só dificulta ainda mais as coisas, já que alguns maldosamente creditam sua escalação por este fato. Bobagem. Este profissionalismo da banda e o bom-humor do baixista conseguiram vencer as barreiras dos que foram lá ver. Fizeram um bom show com destaque para 'Voltar' e 'Filosofia de Bar'.


Sangria
Fim da brincadeira. Os baianos do Sangria estão no palco. Pesado. Muito pesado. O baterista.. putz, lembre-se de nunca emprestar uma bateria para esse cara. Vocal esganiçado. Não é metal. Acho que isso não é metal. Talvez alguma coisa ensurdecedora e negativa. Um System Of A Down do mal. Um Alice In Chains dos inferno. Começaram com 'O Gole' e foram de 'A Cobaia', 'Último Clichê' e, a melhor, 'Estados Alterados da América'. Fizeram questão de deixar claro que são da Bahia - "terra da alegria babaca".


Dead Rocks
Super show de surf music, tocado com maestria. Guitarrista - Johnny Crash - cheio de onda e dancinhas de Chuck Berry. O baixista com a cara e tipo do George, MQN. Baterista de terno e gravata. Diversão total. Cover inspirado de 'Preciso Me Encontrar', de Cartola. Ninguém parado. Moshes e moshes. Coroaram o sábado.


NEM
Fazia tempo que não os via tocando. Agora me pareceram mais leves e bem mais pra cima. O show aconteceu nesse clima, com direito a cover oitentista de Oingo-Boigo. Alguns podem até não gostar a banda, mas é inquestionável o amor e a perseverança que esses caras têm pelo NEM. Têm muito da vontade que tanto anda faltando às bandas goianienses. O NEM se supera a cada dia e já estão planejando disco novo.


Violins
Após um bruto susto nos fãs da banda, com os acontecimentos que antecederam o festival, o Violins reuniu forças e seguidores ainda mais ardorosos. Foi um show que atraiu gente até de outros estados apenas para vê-los. Pode ser que nós, goianos, ainda não consigamos dimensionar o tamanho e a importância do Violins. Estes últimos acontecimentos talvez serviram pra demostrar parte disso. Tanto pra nós quanto pra banda. No show, que marcou uma nova etapa para a banda, Beto parecia aliviado e um pouco incrédulo com as manifestações calorosas de gente que viajou de São Paulo ou de Mato-Grosso até aqui só pra presenciar esse momento. E que não devem ter se arrependido. Foi uma apresentação emotiva e descarregada. Tocaram com intensidade 'Atriz', 'Ensaio Sobre Poligamia', 'S.O.S', 'Ok Ok', 'Hans' (Grandes Infiéis); 'Auto de Fé' (Aurora Prisma); e algumas inéditas: 'Grupo de Extermínio de Aberrações', 'Anti-Herói', 'Delinqüentes Belos - Cada Um'. Belo show.


Calma que agora só falta um dia de festival, ou o que consegui acompanhar dele. Amanhã tá aqui. (já deu uma olhada nessa primeira parte que tá aqui debaixo?) p.s.:: não consegui ver os shows nem do Iscariot nem dos Netunos.

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Terça-feira, Maio 23, 2006  

BANANADA 2000006
1º Tempo


MQN & Uncle Butcher:: Burn, Baby
Foto::r0cket



Bang Bang Babies
O Bang Bang Babies deu o pontapé inicial. A guitarra 'Word Is Virus' do vocalista Pedro (ou Pedrin Bebin, como é conhecido) saudou aos esfomeados por rock com um som garageiro, sem firulas, tocado nos moldes mqnianos. Embora ainda na série B da cena, é bem constituída, aguerrida, com destaque para o bom baixista Pintim. Ainda possuem um repertório tão irregular como um campo de várzea. Por outro lado, algumas músicas, como Lua, mostraram que esses dentes-de-leite do rock goianiense têm futuro. O melhor momento ficou para o final, quando tocaram 'Loose', dos Stooges (embora anunciada como cover do Deep Purple). Nessa, Pedrin Bebin passou a bola pra outro Pedrin - o desorientado. O resultado foi um Stooges rangendo como Sonic Youth, com direito a guerra de guitarras e distorções usuais. Bom começo de festival.


Pétala Mecânica
Mais uma banda local que nunca tinha tido a oportunidade de ver. Rock industrial com algum princípio de eletrônica, bem executado e glamurosamente encenado pelo front/showman Ownzy. Este parecia fugido da banda de Trent Reznor, levando todo o estoque de caras-e-bocas. Maquiagem borrada e dancinhas lascivas, capazes de deixar o vocalista do Valentina corado de vergonha. Em um momento épico da coisa, uma bonequinha gótica - que assistia a tudo isso, tranqüila - foi despedaçada no palco. As músicas eram sobre Maria Madalena e crianças no limbo e drama, drama, muito drama. Um musical que só não foi melhor porque o restante da banda não parecia muito à vontade com as performances do vocalista.


Satanique Samba Trio
Os brasilienses deram um show de bola quadrada. Ministraram uma aula de anti-música, com um instrumental samba-jazz quebrado, em grau elevado de complexidade e que deixou todo mundo boquiaberto. Depois da fatídica apresentação da Lusbel (uma das bandas que deram origem ao Satanique) no Bananada de 2003, havia certa curiosidade de como o público goianiense reagiria ao experimentalismo do SS3. Mas dessa vez encontraram espectadores bem mais porosos. O trompetista Marcelo Vargues arrancou aplausos entusiasmados dos rockers com as voltas inesperadas de 'Gafieira Bad Vibe', 'Teletransputa' e 'Deus Odeia Samba-Rock'. Um dos grupos mais interessantes do festival.


Mordeorabo
Deram seqüência à ala instrumental do Bananada. O sorridente trio mineiro abriu com 'Sunga, Sunga' e pareciam contentes com a boa acolhida que tiveram do público. Merecida, diga-se. Ao contrário do SS3, os mineiros apresentaram um indie rock bem mais redondo. Ao final de cada música o baixista se esforçava para identificar a próxima música, escritas em minúsculas letras num guardanapo. E, como toda banda instrumental que se preze, os nomes de suas músicas são extravagantes, como: 'Ninguém Se Despediu Do Casal Gay'. Finalizaram convidando o público a soltar o André Matos que existe em todos nós, com um grito desses de metal melódico. Um cara ao meu lado parecia um castrati. Show alto astral beeem legal.


Shakemakers
Os locais Shakemakers entraram em campo com seu tradicional visual Stallone Cobra - jaqueta de couro e Ray-Ban. Conhecidos pratas da casa, na primeira, ¿Sem Palavras¿, já se via os primeiros moshes da noite. Seguiram com 'Nunca Mais' - de Odair José, gravada no tributo 'Vou Tirar Você Desse Lugar' - e 'Eu Gosto Do Que Não Presta, Por Isso Gosto De Você' (acho que era isso). O atacante Cão fez falta à banda.


Suzana Flag
Os intrépidos do Pará fizeram valer os mais de 2.000km rodados até Goiânia. Começaram com 'Motorádio', depois 'Híbrido' e 'Móbil'. Pop rock radiofônico bem feito (curiosidade: o nome é tirado do pseudônimo que o cronista Nelson Rodrigues usava para escrever folhetins). Em seguida tocaram 'Vida Que Não Para', também contida no tributo a Odair José. Fecharam com a melhor, 'Um Tanto Morto'. Boa representante da fervilhante cena paraense.


Uncle Butcher
O doidivano Marco Butcher trouxe à cidade seu projeto de blues-punk, tocado no melhor estilo one-fucking-man-band. Mr. Butcher fez um show selvagem, extremo, suado, babado e escorrido (acho que esse Maradona do blues paulista só não passaria num exame anti-dopping). Pra se ter uma idéia, sabe aquele show do canadense BBQ? Então, aquilo parecia coisa de criança perto da fúria onomatopéica de Uncle Butcher. Som no talo, distorcido e impraticável. Bases de blues roots atacadas em arroubos insanos. É sério. Uma inesquecível apresentação do Bananada 2006, se não a melhor, que entrou pra história do festival.


WC Masculino
O WC Masculino deu aos fãs de hardcore o que tanto queriam: hardcore. Dos brutos. A primeira chance da moçada pogar. Não perderam a chance. Podrera.


Eta Carinae
Representou bem a ótima linhagem das atuais bandas pernambucanas. Vieram mostrar seu primeiro disco, o recém lançado 'Mirando A Estrela'. Rock e psicodelia com uso bacana de elementos eletrônicos, sem deixar de lado nem o regionalismo nem a garrafinha de whiskey do baixista. Começaram com 'Loa Do Mar' e seguiram com 'Identidade', 'Tive Que Ir' e 'Puta'. Um problema técnico no baixo - nada a ver com o whiskey - não tirou o brilho da apresentação. Excelentes.


Automata
Os soteropolitanos do Automata ofereceram um new metal aos carentes de bandas aceleradas. Nada muito empolgante.


Mustang
O Mustang fez um show, digamos, engraçado. Ideal pra quem gosta de Kiss, Paul Stanley, metal farofa e jaqueta de napa vermelha com sapato branco. Não necessariamente nessa ordem. Carlos Lopes, ex-vocalista do Dorsal Atlântica, é uma figuraça de dar medo nos adversários.


Barfly
Eles sempre puxam um público diferente pro Bananada. Nada de molecada suja, bebedora de catuaba Raça, mas sim um pessoal mais eclético, acostumados a freqüentar casas como Bolshoi e Samauma. Acredito que os entornadores de Raça preferem mais uma farpa embaixo da unha do que assistir a um show inteiro do Barfly. Sem problemas, o festival abrigou amigavelmente as várias vertentes do rock sem nenhum atrito. O show de sexta foi bom, embora curiosamente curto. Tocaram alguns dos seus hits e poucas novidades, como 'Imaginaria'. Não houve tempo nem do hit 'Thoughts I Had In My Mind'. Fizeram também um cover do Ash, 'Shining Light'. E foi só. Bola pra frente.


Señores
Voltemos à moçada da Raça. Seqüência de punk rock sem barreira, emendados pelos '1,2,3,4..' dos Ramones. Show bonito. Hinos inconformistas citando passagens bíblicas, George Orwell, outras pedindo justiça, dignidade, ódio ao sistema em levadas oi. Tudo dentro das doutrinas trabalhadas pelo Cólera. Houve um momento de emoção, quando o guitarrista Rafael apresentou 'Batalha Final', música composta em parceria com o pai, falecido há seis meses. Foi um momento especial.


MQN
Finalmente. 3h da manhã. Teatro lotado pra ver nossos craques. Sendo assim, claro que o Fabrício não deixaria passar em branco as críticas dos que não acreditaram nesse formato para o festival, com bandas locais como headliners. Palavrões, impropérios e injúrias. Mandaram 'Heart Of Stone', dedicada aos parceiros do Bicicleta Sem Freio. 'Let Rock Now Baby' seguida da nova: 'Buzz In My Head'. Nessa ele já sumiu no meio do público. Já tava desorientado. Em Cold Queen, atravessou a música e tomou uma senhora sentada do Jorge. Mas a anarquia continuou. Durante 'Hard Times' jogaram o pedestal no meio da platéia. Pra dar uma acalmada, tocaram outra nova, mais 'tranqüila', e dedicada à esposa do Fabrício. O homem-macaco Marco Butcher voltou ao palco e adeus tranqüilidade. Fizeram um dueto com 'Burn, Baby, Burn'. Seguiram com 'Devil Woman' e 'Caribean Beach'. Encerraram com 'Red Pills', cantada sem voz e com metade do teatro em cima do palco.


Fim do primeiro dia. Daqui a pouco mais alguns comentários sobre os show que consegui ver no segundo e terceiro dia do Bananada 2006.

posted by outsider | 1:46 PM ::comments::


Sexta-feira, Maio 12, 2006  

Bang Bang Rock & Roll



O termo 'Art Brut' foi formulado pelo pintor francês Jean Dubuffet para classificar obras criadas de maneira crua, puras, livres de regras ou de estilos acadêmicos, as quais o francês classifica como 'art culturel'. De acordo com Debuffet, todos nós somos pintores porque, segundo ele, pintar seria tão instintivo como andar ou falar. Ou seja, essa arte em estado bruto compreende não apenas pintores primitivistas, mas também trabalhos feitos por crianças, solitários, doentes mentais, marginais, condenados, outsiders, naïfs, etc.

Essa foi a expressão escolhida pelo espirituoso band leader Eddie Argos - um ex-gótico do sul da Inglaterra viciado em Van Gogh e no Wander Wildner americano, Jonathan Richman - para dar nome a sua banda. Inspirados pelos ideais do desprendimento total, o Art Brut juntou um ótimo rock com composições ordinárias como uma conversa de boteco, mas com algumas tiradas hilárias. Alguns críticos classificam a banda como uma mistura entre Hives e Monty Python.

Bang Bang Rock & Roll é o álbum de estréia e traz composições rasas e irônicas que narram desde a empolgação do seu irmão mais novo com a descoberta do rock, com um conselho final para que fique longe do crack (My Little Brother), passando por lamentações cômicas sobre... disfunção erétil (Rusted Guns Of Milan), outra sobre seu sonho de aparecer no programa da BBC, Top Of The Pops - acho que equivaleria ao Rollin' Chamas sonhando aparecer no Faustão (Formed a Band), outra sobre como não suporta Velvet Underground e que acha as músicas sobre sexo e drogas um porre (Bang Bang). Por aí vai.

Argos na verdade não canta. Ele apenas fala. Tudo sai com aquele carregado sotaque britânico. Entretanto, o importante é que o Art Brut não fica apenas nas gracinhas. O som que envolve tudo isso é forte, pesado e criativo. E apesar do Art Brut ainda não ter aparecido no Top Of The Pops, Bang Bang Rock & Roll é álbum excelente de uma banda que promete e parece ter fôlego e potencial pra muito ainda.




posted by outsider | 2:38 AM ::comments::


Quarta-feira, Maio 03, 2006  

Referência, Tributo ou Chupadas.




Atire a primeira baqueta a banda que nunca surrupiou de outra banda um riff, uma introdução ou mesmo um pequeno verso. É o que chamamos de influência. Agora, o que dizer de bandas como Interpol e She Wants Revenge, que dispensaram as sutilezas e foram diretos à aorta de Ian Curtis? A cara-de-pau sem tamanho dessas bandas as tornam desprezíveis? Para os fãs sunitas de Joy Division, certamente sim. Mas tem um monte de herege que tá adorando.

She Wants Revenge não soa tão pretensioso como o Interpol. Formado por dois Djs e produtores de rap (!!!!) dos anos 90, o SWR parece mais interessado no que acontece na pista da dança de qualquer boate. Sob o pretexto saudosista do synth-pop e da sonoridade gótica que se escutava nos anos 80, os dois amigos, Justin Warfield e Adam Bravin, ressuscitaram não só a voz barítona de Curtis, mas recriaram a sonoridade de uma época. Este primeiro disco homônimo é quase uma experiência bem sucedida de clonagem.

Os dois não pouparam nem os títulos das músicas. Para 'She Lost Control', criaram 'Out of Control'; para 'Love Will Tear Us Apart', fizeram 'Tear You Apart'. É mole?

Resumindo: dois rappers americanos recém-convertidos em indies e profanando logo o trabalho do sujeito número um na lista dos dez mais de quase todos os indies do planeta. Ninguém pode dizer que não são corajosos. Se ainda não escutou, comece pela swingada (sic) 'I Don't Want To Fall In Love'.


posted by outsider | 1:27 AM ::comments::


Segunda-feira, Abril 24, 2006  

Vá ao teatro e me chama:::




Como você sabe, o teatro alternativo Zabriskie abriu suas cortinas para o rock. São shows para poucos privilegiados. No máximo 200 sortudos. E no próximo 28::04::06 um limitado número de atentos poderão curtir a trinca gaúcha Pata de Elefante + MQN + a ruidosa abertura dos novatos Black Drawning Chalks (ou drawing, cada lugar tá escrito de um jeito). Eu também vou participar dessa festa como 'Selector'. Legal, né? Então compre agora seu ingresso. Restam poucos.



posted by outsider | 10:12 AM ::comments::


Terça-feira, Abril 18, 2006  

Bananada2006:::



Arte massa. Freak show dalilesco dos designers do Blicicleta Sem Freio. Ilustração à altura dos cartazes feitos para o Troubadour.

posted by outsider | 9:36 AM ::comments::


Segunda-feira, Abril 17, 2006  

Caverna::13::04::06


A noite agradava pela imensa lua clara num céu sem estrelas. O vai-e-volta de carros nas avenidas T10 e 85 era intenso. Todos à procura de diversão na véspera do bendito feriado santo. O show estava marcado para 22h, mas a gente sabe que o fuso horário do nosso país não é o mesmo dos livros. Paramos antes para tomar uma Skol no Picanha na 10. Sua área aberta é arejada grande o suficiente para se manter um espaço razoável entre as mesas. Uma pobre alma tocava violão para uma platéia uniformemente desinteressada.

Se restava dúvida se iríamos ao Caverna, os primeiros acordes de "às vezes no silêncio da noite..." não nos deixou escolha. Era preciso desinfetar os ouvidos daquelas lamúrias cantadas pelo arremedo de Emerson N*gueira. Antes do final da primeira estrofe já estávamos no carro.

Nunca tinha pisado no Caverna. Até onde sei era reduto de reggaeiros. Mas gostei do que vi. Apesar da distância me pareceu um ótimo lugar para um show até médio porte. Nessa noite beiravam 200 pessoas e longe de parecer cheio. Estacionamento fechado a 5 Reais, mas os que não são apegados as coisas materiais podiam estacionar na rua escura, distante do bar. Fila pequena na bilheteria, preço razoável. O ingresso estava estampado "Mundo Livre S.A.". Sobras do show passado.

Eram 22h30 e as pessoas ainda estavam começando a chegar. Latas geladas de Skol e Bohêmia a 2,50.
8, por favor.

Duas latas depois e o trio The Rockfellers subiu ao palco. Desfalcadas do ótimo guitarrista Cão (ou Lukão ou algo assim), os Rockfellas fizeram uma apresentação pontuada por problemas técnicos. Serviram como cobaias para as atrações principais. Mas isso não os impediu de mostrar seu razoável hard rock com nuances de metal farofa. Uma banda boa o suficiente para rádios e pop enough para a MTV. Eles parecem querer agradar principalmente ao público feminino com suas calças coladas, camisas abertas e poses retorcidas durante solos estribuchantes. Mas como não era a noite dos garotos performistas, toda vez que o vocalista/ guitarrista tentava uma dessas poses cômicas, acabava desconectando o pedal. Coisas de quinta-feira 13.

Se a data 13 serviu como um ventilador na farofa dos Rockfellers, pro MQN era um amuleto estampado na camisa de seu vocalista. Depois da apresentação destruidora no festival Ruído foi a vez do séqüito goiano findar o jejum de quase cinco meses sem shows da banda em solo natal. Sem correr grandes riscos a banda não fugiu dos hits, buscando inclusive clássicas do Hellburst. A novidade, além do corte meio moicano do guitarrista CJ, foi a execução de uma nova música - Buzz In My Head. Boa, muito boa. Na verdade disseram que iriam tocar duas novas, mas cumpriram apenas metade do enunciado.

Para fechar a noite foi escalado o esdrúxulo Rollin' Chamas. Com uma peruca de fazer inveja ao moicano de CJ e com calças mais coladas que as do Rockfellers, Fall e sua numerosa banda fizeram a alegria de um bando de marmanjos de cuecas samba-canção. Alguém me disse que aquela visão do inferno se tratava do seu fã-clube, batizado de Cueca 'n Chamas. Não sei como surgiu, mas parece que já contam com cerca 70 integrantes! Mas para o desgosto dos malucos, Fall não aderiu ainda à moda das cuecas. Parece que a única moda que ele aceita é com queijo e lingüiça. Revolução!


posted by outsider | 7:19 PM ::comments::


Terça-feira, Setembro 27, 2005  

Angeli



posted by outsider | 11:25 AM ::comments::
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